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Frei Betto e a Teologia da Libertação: a luta pela justiça social a partir do cristianismo

 

Descrição da imagem: Frei Betto em primeiro plano usando óculos e vestindo um jaleco beige e uma camisa cinza.
Fonte da imagem: https://www.redebrasilatual.com.br/politica/frei-betto-fala-de-religiao-e-politica-em-entrevista-a-juca-kfouri-na-noite-desta-quinta/

Frei Betto é um sacerdote dominicano brasileiro preso durante a ditadura militar entre os anos 1969 e 1973. Durante esse período, ele já mantinha vínculos com o movimento sindical brasileiro e com o Partido dos Trabalhadores, destacando-se como um dos teólogos da libertação que aplicou o método marxista no seu trabalho. 


Para Betto, o marxismo é, sobretudo, uma teoria de práxis revolucionária. Assim, como qualquer outra obra teórica, ele defende que o marxismo pode ter leituras muito diversas. O essencial, segundo Betto, é usar a teoria marxista como uma ferramenta de libertação dos oprimidos, sabendo adequá-la a diferentes contextos históricos conforme necessário. 


Nesse sentido, Betto afirma que os marxistas não podem ignorar o novo papel da religião e, especialmente, do cristianismo na América Latina, não mais como ferramentas de opressão e dominação, mas sim de libertação das massas. Além disso, ressalta a necessidade de ultrapassar a ótica objetivista e de reconhecer o papel da subjetividade humana na história. Ou seja, não nega que a prática revolucionária tenha uma base material, mas também considera importante incluir nela dimensões éticas, místicas e utópicas, frequentemente ignoradas pelos marxistas mais ortodoxos. 


Na perspectiva de Frei Betto, a relação entre o marxismo e o cristianismo baseia-se em vários elementos comuns: ambas as correntes de pensamento partilham o desejo de que a humanidade consiga eliminar todas as barreiras e contradições que a dividem, permitindo a melhoria da qualidade de vida de todos os indivíduos e grupos sociais através da superação da desigualdade e da pobreza.


Apesar de, historicamente, muitos grupos cristãos terem desconfiado do marxismo (e vice-versa), Betto destaca a existência de documentos divulgados durante o período da ditadura militar brasileira em que a igreja posicionou-se a favor da derrubada do sistema capitalista, vendo-o como a principal fonte de desigualdade e injustiça da época. Dessa forma, a cooperação entre grupos cristãos e marxistas não seria uma novidade histórica e, segundo Betto, não representaria nenhuma contradição, já que os grupos cristãos podem oferecer um importante apoio à militância revolucionária. Em outras palavras, a fé cristã poderia tornar-se um agente de transformação social e de justiça.


No caso do processo revolucionário nicaraguense (do qual, aliás, ele foi um grande apoiador) é relevante destacar a união entre grupos cristãos e a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). Em outubro de 1980, a FSLN publicou um comunicado em que reconhecia que a religião podia ser utilizada não apenas como instrumento de alienação e de dominação ideológica (como o próprio Marx afirmava), mas também podia ser um incentivo para os cristãos juntarem-se às causas revolucionárias. Betto destaca também a necessidade de as massas estarem cientes da sua história e das necessidades do povo. Assim, pode-se dizer que as suas ideias sobre a teologia da libertação se materializaram no contexto do processo revolucionário nicaraguense.

 


REFERÊNCIAS

- FREI BETTO, Cristianismo e marxismo. em: LÖWY, Michael (org.), O marxismo na América Latina. Uma antologia de 1909 aos dias atuais. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo.


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- A Teoria Crítica das Relações Internacionais

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