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O Realismo Clássico nas Relações Internacionais


No capítulo 2 do livro Teoria das Relações Internacionais: Correntes e Debates (2005), os internacionalistas João Nogueira e Nizar Messari trazem uma síntese completa sobre o que é a perspectiva realista das Relações Internacionais, abrangendo seus conceitos basilares, as distintas vertentes e os principais autores que contribuíram para a sua formação. Cabe destacar que, neste resumo, focaremos apenas no realismo clássico, o qual abrange as páginas 20 a 42 do texto mencionado.

Em princípio, Nogueira e Messari ressaltam o fato de que não se pode falar na existência de uma só teoria realista: pelo contrário, ela seria melhor definida como um conjunto de visões que, apesar de terem diferenças importantes, partem de uma série de bases teóricas compartilhadas. Nesse sentido, os autores mencionam três personalidades cujas produções resultaram essenciais para o desenvolvimento das teorias realistas: Tucídides, Nicolau Maquiavel e Thomas Hobbes. A Tucídides atribui-se o conceito de anarquia internacional; a Maquiavel, a questão da sobrevivência do Estado; e a Hobbes, o Estado de natureza.

Desse modo, os três autores são de grande relevância, fazendo parte das premissas comuns que permeiam o pensamento realista. Disso deriva-se a centralidade do Estado no sistema internacional, bem como a tendência ao pessimismo e a competição entre Estados como um jogo de soma zero. Para aprofundar nessas questões, os autores partem das duas funções principais dos Estados enquanto instituições: conservar a paz interna no território e manter a segurança em relação às possíveis agressões externas. A primeira é realizada por meio do monopólio do uso legítimo da força a nível nacional, enquanto a outra se faz essencialmente por meio de duas atividades: a diplomacia e o uso da força militar.

Por outro lado, os autores não hesitam em destacar que essas duas funções dos Estados são consequências diretas do Estado de natureza que rege o sistema internacional. Dessa forma, cada Estado vê-se na obrigação de vigiar constantemente as ações dos outros, e devem nortear-se pelos próprios interesses nacionais - conceito esse definido na visão realista como “autoajuda” -. Em decorrência disso, ressalta-se a noção de Maquiavel de que a moralidade dos indivíduos comuns não pode ser a mesma dos estadistas, que detêm sob a sua responsabilidade o bem-estar de uma nação, considerada homogênea.

Já em um segundo momento, os autores revisitam os aportes de outros teóricos, que consideram importantes para a formação das teorias realistas. Um deles foi Edward Hallet Carr, autor do livro Vinte anos de crise — 1919-1939. No texto, Carr trouxe uma análise do debate entre realistas e idealistas, afirmando que os primeiros buscavam entender o mundo da maneira que ela é, e não de como deveria ser - uma crítica direcionada ao pensamento idealista no contexto do pós-Primeira Guerra Mundial.

Outro autor que foi relevante para as teorias realistas foi Hans Morgenthau, que publicou o livro intitulado Política entre as nações. Dentre suas contribuições, Nogueira e Messari destacam a existência de leis objetivas presentes nas relações entre Estados que derivam da natureza humana e individual. Dessa forma, a política dos Estados está focada no poder, seja para mantê-lo, aumentá-lo ou demonstrá-lo aos outros Estados; só assim podem garantir a própria sobrevivência no sistema internacional. Eis o motivo pelo qual os Estados buscam manter o status quo a nível interno e externo (desde que estes estejam a seu favor) e expandir as suas áreas de influência internacional.

Seguindo outra linha de pensamento, os autores trazem as perspectivas de vários pensadores críticos da visão realista das Relações Internacionais. Dentre eles, destacam John Herz, que elaborou a teoria do Dilema de Segurança - isto é, que na tentativa de manter-se seguros no sistema internacional, os Estados realmente estariam agravando a sua situação. Isso se deve ao que Herz chama de “corridas armamentistas”, que fazem com que cada Estado passe a adquirir armamento bélico para conseguir se proteger das ações dos outros Estados, uma vez que eles também detêm armas similares.

Enfim, Nogueira e Messari mencionam as contribuições de Kenneth Waltz no seu livro Man, The State and War (1959), no qual destaca as que considera as três imagens ou figuras a partir das quais pode compreender-se a guerra: o indivíduo, o Estado e o sistema internacional. Dessa forma, Waltz parte da natureza do ser humano como elemento determinante das Relações Internacionais através do tempo, perspectiva essa que até hoje domina a visão realista das Relações Internacionais.



BIBLIOGRAFIA


- Nogueira, João Pontes; Messari, Nizar (2005) Teoria das Relações Internacionais: Correntes e Debates. São Paulo: Elsevier, pp 20-42.

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