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O Marxismo nas Relações Internacionais

No capítulo 4 do livro Teoria das Relações Internacionais: Correntes e Debates (2005), os pesquisadores João Nogueira e Nizar Messari explicam as principais contribuições da teoria de Karl Marx para o entendimento das relações internacionais. No entanto, o primeiro que os autores ressaltam é que a teoria marxista não analisa aprofundadamente o cenário internacional, e nem o Estado, que é seu principal agente. Todavia, eles não hesitam em afirmar que a teoria marxista abriu caminho para o desenvolvimento de perspectivas críticas das Relações Internacionais, conforme será abordado a seguir.

Por um lado, a teoria marxista dá primazia ao papel dos indivíduos na sociedade. Nesse sentido, os autores destacam que, segundo Marx, as relações humanas seriam produto da sua própria ação. Assim sendo, as formações históricas, como o conceito de “Estado” e “nação” seriam o resultado dessas relações humanas, especialmente as que se opõem entre si. Por isso, a teoria marxista foca-se essencialmente em dois grupos de indivíduos: os que fazem parte do proletariado, isto é, a classe trabalhadora; e os que compõem a burguesia, a classe dominante.

Nesse contexto, a classe burguesa visa manter-se no poder, e para isso recorre a diversos meios, sendo um deles o próprio Estado, enquanto instituição política. O principal propósito do Estado, segundo a teoria marxista, seria o de defender os interesses da classe burguesa por meio da manutenção do status quo capitalista. Isso pode ser realizado mediante o uso da violência legítima, assim como a imposição de ideologias e formas de pensamento que perpetuam o seu domínio sobre o proletariado, como é o caso do nacionalismo.

Há também uma alienação a respeito de estruturas que, mesmo sendo resultado da ação humana, atribuem-se à ação divina ou à natureza, como a anarquia do sistema internacional. Segundo os autores, essa percepção faz com que a classe proletária ignore seu papel na sociedade, bem como a sua capacidade de transformá-la por completo.

Outro aspecto ressaltado pelos autores sobre as contribuições da teoria marxista é que a classe burguesa transcende as fronteiras nacionais, fazendo da sociedade internacional um único sistema moldado pelo capitalismo. Nesse sentido, a formalização de barreiras entre os Estados serve ao propósito de fomentar a divisão do proletariado, que passa a se identificar com uma ou outra nação específica. Por isso, a teoria de Marx visa conscientizar a classe proletária para que se perceba como uma só, o que facilitaria em grande medida a sua emancipação.

Dessa forma, o proletariado poderia atuar enquanto o que realmente é: uma classe internacional, capaz de fazer frente à burguesia. Assim, poderia abolir todas as instituições a serviço da classe burguesa, incluindo os Estados, e as relações internacionais se tornariam relações entre comunidades livres e solidárias entre si.

Em suma, a teoria marxista foi formulada com o intuito de transformar a sociedade na sua totalidade (ao invés de simplesmente analisá-la ou descrevê-la) e para isso, parte da conceição do indivíduo enquanto o seu agente principal. Assim, as relações atuais entre os Estados derivam desse sistema de dominação capitalista, ao qual, segundo Marx, a revolução do proletariado colocaria fim.



BIBLIOGRAFIA


- Nogueira, João Pontes; Messari, Nizar (2005) Teoria das Relações Internacionais: Correntes e Debates. São Paulo: Elsevier, pp. 105-110.

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