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Teoria do Sistema Mundo e Teoria da Dependência nas Relações Internacionais

No livro Introdução às Relações Internacionais: Temas, Atores e Visões (2004), pp. 167–169, a acadêmica Cristina Soreanu Pecequilo aborda as ideias principais de duas correntes teóricas neo-marxistas das Relações Internacionais, a saber: a Teoria do Sistema Mundo e a Teoria da Dependência, as quais serão o tema tratado neste resumo. Em relação à primeira, elaborada por Immanuel Wallerstein, destaca-se que o nível de análise é o sistêmico, tendo um foco muito marcado no aspecto econômico das relações entre os diferentes atores estatais.

Conforme explicado pela autora, Wallerstein entende o sistema capitalista como o impulsor da divisão internacional do trabalho, que passa a gerar hierarquias entre os Estados de acordo com o seu papel na economia: dessa forma, os países que detêm maior poder econômico são chamados de “países do núcleo”; enquanto os que possuem um certo desenvolvimento, considerado menor, conformam a “semiperiferia”; e por último, a “periferia”, composta pelos países que não detêm indústrias desenvolvidas e cuja principal fonte de ingressos é a exportação de matérias-primas aos países desenvolvidos.

Por outra parte, Pecequilo ressalta que as ideias de Wallerstein possuem uma relação direta com a Teoria da Dependência, elaborada em meados do século XX no contexto da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Cepal). Assim como a Teoria do Sistema Mundo, a Teoria da Dependência dá destaque aos aspectos econômicos, dividindo o sistema internacional em dois grandes grupos: o dos “desenvolvidos”, isto é, dos países ricos; e o dos países “em desenvolvimento”, que se correspondem ao conceito de “periferia” proposto por Wallerstein, sobretudo no que diz respeito ao seu papel como produtores e exportadores das matérias-primas requeridas pelas indústrias dos desenvolvidos, ou “os países do núcleo” segundo a visão de Wallerstein.

Dessa forma, os teóricos da Teoria da Dependência defendiam o estabelecimento de uma revolução produtiva, que permitisse a modernização dos países pobres para impulsar as suas próprias economias e sair do jogo de soma-zero fomentado e controlado pelas potências.

Para isso ocorrer, seriam necessárias, ao menos, três coisas fundamentais, segundo Pecequilo: a substituição das importações, o aumento do poder estatal e a união dos países em desenvolvimento, tudo isso para conseguir contestar os interesses dos países mais ricos. Ou seja, o que se buscava era uma transformação das relações econômicas capitalistas, vistas como as responsáveis pelas crescentes desigualdades entre os países do sistema internacional.

Enfim, pode-se dizer que tanto a Teoria do Sistema Mundo quanto a Teoria da Dependência trazem perspectivas teóricas neo-marxistas focadas no aspecto econômico das relações entre os Estados, fazendo análises a nível sistêmico de como a divisão do trabalho passa também a dividir os países de forma desigual e injusta.



BIBLIOGRAFIA


- Pecequilo, Cristina Soreanu (2004) Introdução às Relações Internacionais: Temas, Atores e Visões. Petrópolis: Editora Vozes, pp. 167-169.

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