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Mostrando postagens de agosto, 2023

Relatório — Palestra “Aquilombando y Aldeando las Relaciones Internacionales: la geopolítica de los pueblos indígenas y afrodescendientes en América”

Dr. Félix Pablo Friggeri e Dr.ª Ana Carolina Teixeira Delgado durante a palestra No dia 23 de agosto de 2023, o professor Dr. Félix Pablo Friggeri foi palestrante no evento “Aquilombando y Aldeando las Relaciones Internacionales: la geopolítica de los pueblos indígenas y afrodescendientes en América”, que tinha por objetivo a discussão e problematização de alguns dos conceitos tradicionais na área de Relações Internacionais (RI). O evento ocorreu como parte da Semana Discente do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI), no Auditório do Campus Integração da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Como primeiro ponto da palestra, Friggeri argumentou que todos os Estados latino-americanos e caribenhos são caracterizados por serem plurinacionais, mesmo que apenas dois deles (a Bolívia e o Equador) se reconheçam como tal constitucionalmente. Assim, Friggeri questionou o emprego do termo “relações internacionais”, pois, na sua visão, as relações...

Relatório — Palestra “O Brasil e o Direito do Mar” do Vice-Almirante Antonio Fernando Garcez Faria

A Floresta Amazônica Fonte:  https://www.flickr.com/photos/lubasi/6127721505   Em 16 de dezembro de 2022, o Vice-Almirante Antonio Fernando Garcez Faria foi convidado à Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) para dar a palestra O Brasil e o Direito do Mar a estudantes da disciplina de Direito Internacional Público, que faz parte do Bacharelado em Relações Internacionais e Integração. O objetivo da palestra era apresentar o contexto atual do Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (LEPLAC), que visa estabelecer os limites da denominada “Amazônia Azul”, termo que se refere ao território marítimo pertencente ao Estado brasileiro. O Vice-Almirante iniciou a sua palestra explicando a evolução do Direito do Mar ao longo da história da humanidade, de maneira que os estudantes tivessem uma visão mais completa sobre o assunto. Assim, ele expôs as origens do direito marítimo, que surgiu como consequência das navegações iniciadas por volta de 50...

A Teoria Crítica das Relações Internacionais

No capítulo 21 do livro Teoria das Relações Internacionais , o economista e professor universitário Gilberto Sarfati aborda a Teoria Crítica das Relações Internacionais (RI), abrangendo sua definição, origens, autores e conceitos basilares. Assim, o objetivo deste resumo é apresentar de forma clara e precisa os principais pontos destacados por Sarfati em relação à Teoria Crítica das RI, assim como as suas contribuições para essa área acadêmica. Em primeiro lugar, Sarfati descreve a Teoria Crítica como um projeto de caráter emancipatório, uma vez que considera que o estudo das RI deve ter por fim último a eliminação de todas as formas de dominação presentes na humanidade, incluindo não só a dominação material e do Estado, mas também as que possuem caráter racial, étnico, sexual, e assim por diante. Nesse sentido, o autor aponta que a Teoria Crítica foi fortemente influenciada por acadêmicos da Escola de Frankfurt , destacando figuras como Walter Benjamin, Herbert Marcuse e Jurgen Haber...

A Teoria Construtivista das Relações Internacionais

No capítulo 22 do seu livro Teoria das Relações Internacionais (2005), o economista e professor universitário Gilberto Sarfati aborda os principais conceitos da teoria construtivista das Relações Internacionais (RI) e a sua importância para essa área acadêmica. Para isso, o autor baseia-se essencialmente na perspectiva de Alexander Wendt, cujo livro, Social theory of international politics (1999) oferece uma visão alternativa do tradicional Theory of international politics (1979), escrito pelo cientista político neo-realista Kenneth Waltz. Assim, neste resumo vão ser apresentados os pontos principais do construtivismo nas RI, tal como explicados por Sarfati. Em primeiro lugar, Sarfati destaca a importância atribuída às identidades na formação dos interesses dos Estados, conforme a teoria construtivista. Assim, o autor afirma que no construtivismo os Estados são vistos como construções sociais formadas ao longo da história, e que a sua convivência social com outros Estados pode mod...

Teoria do Sistema Mundo e Teoria da Dependência nas Relações Internacionais

No livro Introdução às Relações Internacionais: Temas, Atores e Visões (2004), pp. 167–169, a acadêmica Cristina Soreanu Pecequilo aborda as ideias principais de duas correntes teóricas neo-marxistas das Relações Internacionais, a saber: a Teoria do Sistema Mundo e a Teoria da Dependência, as quais serão o tema tratado neste resumo. Em relação à primeira, elaborada por Immanuel Wallerstein, destaca-se que o nível de análise é o sistêmico, tendo um foco muito marcado no aspecto econômico das relações entre os diferentes atores estatais. Conforme explicado pela autora, Wallerstein entende o sistema capitalista como o impulsor da divisão internacional do trabalho, que passa a gerar hierarquias entre os Estados de acordo com o seu papel na economia: dessa forma, os países que detêm maior poder econômico são chamados de “países do núcleo”; enquanto os que possuem um certo desenvolvimento, considerado menor, conformam a “semiperiferia”; e por último, a “periferia”, composta pelos países qu...

A Escola Inglesa nas Relações Internacionais

No capítulo 10 do livro Teoria das Relações Internacionais , o economista e professor universitário Gilberto Sarfati explica o que é a Escola Inglesa, seus principais autores e figuras relevantes e os aportes que esses trouxeram para compreender as Relações Internacionais (RI). Em princípio, o autor ressalta o fato de a Escola Inglesa ser relativamente recente, começando apenas em 1958, por meio do Comitê Britânico de Teoria de Política Internacional, que chegou ao seu fim em 1985. Entretanto, também é mencionado que a Escola Inglesa continue a existir enquanto corrente teórica das RI. Desse modo, Sarfati passa a destacar as quatro fases da Escola Inglesa, segundo a perspectiva de Waever: a primeira, de 1959 até 1966; a segunda, de 1966 até 1977; a terceira, de 1977 até 1992; e a última, de 1992 até à atualidade. Por outro lado, o autor também traz à tona a importância da diferenciação entre os conceitos de “sistema internacional” e “sociedade internacional” para a Escola Inglesa. O s...

O Marxismo nas Relações Internacionais

No capítulo 4 do livro Teoria das Relações Internacionais: Correntes e Debates (2005), os pesquisadores João Nogueira e Nizar Messari explicam as principais contribuições da teoria de Karl Marx para o entendimento das relações internacionais. No entanto, o primeiro que os autores ressaltam é que a teoria marxista não analisa aprofundadamente o cenário internacional, e nem o Estado, que é seu principal agente. Todavia, eles não hesitam em afirmar que a teoria marxista abriu caminho para o desenvolvimento de perspectivas críticas das Relações Internacionais, conforme será abordado a seguir. Por um lado, a teoria marxista dá primazia ao papel dos indivíduos na sociedade. Nesse sentido, os autores destacam que, segundo Marx, as relações humanas seriam produto da sua própria ação. Assim sendo, as formações históricas, como o conceito de “Estado” e “nação” seriam o resultado dessas relações humanas, especialmente as que se opõem entre si. Por isso, a teoria marxista foca-se essencialmente e...

O Realismo Clássico nas Relações Internacionais

No capítulo 2 do livro Teoria das Relações Internacionais: Correntes e Debates (2005), os internacionalistas João Nogueira e Nizar Messari trazem uma síntese completa sobre o que é a perspectiva realista das Relações Internacionais, abrangendo seus conceitos basilares, as distintas vertentes e os principais autores que contribuíram para a sua formação. Cabe destacar que, neste resumo, focaremos apenas no realismo clássico, o qual abrange as páginas 20 a 42 do texto mencionado. Em princípio, Nogueira e Messari ressaltam o fato de que não se pode falar na existência de uma só teoria realista: pelo contrário, ela seria melhor definida como um conjunto de visões que, apesar de terem diferenças importantes, partem de uma série de bases teóricas compartilhadas. Nesse sentido, os autores mencionam três personalidades cujas produções resultaram essenciais para o desenvolvimento das teorias realistas: Tucídides, Nicolau Maquiavel e Thomas Hobbes. A Tucídides atribui-se o conceito de anarquia i...

O Liberalismo Clássico nas Relações Internacionais

No capítulo três do livro Introdução às Relações Internacionais: Temas, Atores e Visões (2004), a professora universitária Cristina Soreanu Pecequilo apresenta as principais correntes teóricas das Relações Internacionais (RI). Nesse capítulo, a acadêmica aborda o conceito de liberalismo, assim como seus princípios e forma de funcionamento conforme definido pelos teóricos liberais. Neste resumo, serão abordadas apenas as partes do texto correspondentes aos conceitos de liberalismo e de liberalismo clássico, ou seja, das páginas 137 a 148. Primeiramente, Pecequilo fornece uma contextualização histórica sobre o surgimento do liberalismo enquanto corrente de pensamento. A autora menciona que, a partir dos séculos XVII e XVIII, começaram a surgir propostas teóricas que favoreciam as classes burguesas, que gozavam de uma influência crescente na época, defendendo o que posteriormente passaria a ser conhecido como liberalismo. Por outro lado, Pecequilo destaca alguns dos principais autores q...